Urbanidade X Sanidade
Eu conheci Marco Magalhães num café/padaria no Brasil. Logo no primeiro encontro senti que ele transmitia algo que iria além desse encontro de algumas palavras. Quando vi seu trabalho me dei conta que seu mundo era pictórico e emotivo. Como não sou crítico de arte, logo me recuso a criticar a emoção do outro. O que posso fazer é me deixar tocar pelas imagens e sentir o outro pelo seu mundo criativo e sensitivo. Assim sendo, apenas compartilho e admiro o que me toca.
O trabalho de Marco Magalhães transborda poesia e faz com que eu participe do seu mundo interior de relíquias do passado. Seu olhar urbano me remete a grande centros e o que eles nos alimentam em texturas, imagens e cores. São emoções que me tocam no estômago. Energias básicas e de um refinamento caótico, onde linhas, colagens, fotos, cores, matérias se misturam definindo um equilíbrio, que quando se vive numa grande metrópole é necessário e primordial para se manter são.
Suas telas vão além da decoração. São pedaços do dia-a-dia de todos nós. Ele consegue, no equilíbrio e nas nossas referências visuais, indicar de maneira polêmica o que vivemos. Nos faz refletir sobre tópicos humanos e sensoriais como o amor, a guerra, o planeta, o “eu”, nos posicionando num instante de meditação. Ele não se limita ao Brasil, sua arte é mundial, “museal” e extremamente contemporânea em todos os sentidos. Em suas fotos pode-se ver de onde vem sua inspiração.
Símbolos, hieróglifos, letras, fotocópias e grafites preenchem espaços como se preenchessem o meu ser. Eles contam a história, a minha história de vida, meus fantasmas e minhas ambições. Onde existe o caos, existe também o equilíbrio e é com grande prazer que posso dizer que Marco Magalhães é mestre em retratar esta dualidade com tanta sensibilidade.
Maui Reple
Amsterdam, 07 de julho de 2010.
www.gaiagallery.nl
Magnífica Desordem
Adquiri uma obra de Marco Magalhães na SP-Arte de 2010, quando tomei conhecimento de seu trabalho. É impressionante como Marco consegue trabalhar o campo de execução , a tela, o papel ou a fotografia, com tanta propriedade. O artista retrata a inquietude das grandes metrópoles, as frustrações das pessoas pedindo socorro, exprimindo suas frustrações, angústias, tesão e esperança. Mas ao mesmo tempo também a ironia, o despudor e mais que isso, o caos. Porém, tudo com muita elegância, se assim posso dizer. Sua escrita é outra coisa que me impressiona: são textos, inicialmente sem significado, que no fundo são desenhos de pura plasticidade. Com olhar atento, pode-se perceber uma preocupação do artista em sempre realçar o berço de morte: as cruzes aplicadas despretensiosamente em lugares nem sempre pré definidos, a tinta por vezes escorrida com exatidão, e a predominância de preto e vermelho denotam este sentimento de guerra, de egos e de beleza ao mesmo tempo. O layout dos trabalhos é outro ponto relevante de sua obra: uma mistura de coisas, cores e palavras com muita harmonia. É nítido também suas inspirações e referências, tais como Basquiat, Rauschenberg, Francis Bacon e do nosso querido Wesley Duke Lee, que o próprio artista assumiu em conversa recente. Mas são meras lembranças desses monstros sagrados da pop art, porque Marco tem traço próprio, inspirações profundas de sua alma. “Gosto dos desenhos sem muita estrutura, mas que evocam ao passado, mas ao mesmo tempo a um mundo que talvez já tenha vivido ou almejo que exista”, diz ele. Para finalizar, sinto que Marco tenha encontrado na fotografia, a grande ferramenta que lhe faltava. Ela está sempre presente em seu trabalho e mesmo suas fotos urbanas, puras e simples, são de muita sensibilidade e guiam toda sua obra.
Mateus Funes, colecionador de arte contemporânea
Rio de Janeiro, 30 de Junho de 2010.
